
Tenho adiado a leitura de Minha Razão de Viver, do Samuel Wainer, mais do que deveria. E não só: O Reacionário, memórias do Nelsão Rodrigues, idem. Não sei qual tipo de quebranto, de trânsito astrológico ou sei-la-o-quê explica essa vocação para só produzir na eminência do deadline. Agora tenho que ler o Wainer até semana que vem — e lerei, inevitavelmente. Andaram até me recomendando um daqueles polivitamínicos, gororobas de uma dúzia de coisas, para me curar dessa preguiça modorrenta fidaputa que se abateu sobre mim de uma semana para cá.
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7h da manhã, no S-20, Barra-Botafogo, descubro que devo estar virando um monstro desses embrutecidos, um vilão de novela global. É que em pé, aquele trânsito filhodaputa na Niemeyer, eu, o procrastinador de todas as manhãs, atrasado, quase reprovado por faltas em História do Jornalismo — não consigo me comover com o sujeito que desceu a Niemeyer na contramão e, batendo de frente, está sentado no meio-fio, vivo, com a testa sangrando.