Nunca fui com a cara do Demonoid. Inveja, talvez. A notícia é que tenho levado o mês tediosamente e nem soube que o site, depois de ficar fora do ar, voltou no dia 11 de abril. O Demonoid, para quem não sabe, é um site indexador de torrents, ele é um rastreador público de arquivos de vídeo, música e o escambau. Torrent é um protocolo de processamento rápido para download. É o Torrent que eu uso para suprir minha dose semanal de enlatados americanos baixando Lost. Em poucas palavras, o Demonoid é uma puta dor na cabeça dos defensores ferrenhos da propriedade intelectual.
Funciona assim: eu tenho um documentário raro de um cineasta esquimó sobre todas as dezenas de palavras que o povo esquimó tem para falar branco, tesão da semiótica. Eu faço desse vídeo um arquivo .torrent e, com a ajuda de sites como o Demonoid, você encontrará um link que lhe permitirá conectar-se a mim para baixar o filme. Mas o que o Demonoid tem de especial se vários sites oferecem o mesmo serviço? É que o Demonoid tem a dinâmica de uma seita, e daí minha inveja. Você só entra com um convite e se cumprir certos requisitos, como uma velocidade mínima para envio de arquivos.
Não entendo, do alto de minha ignorância, as razões que fazem alguém considerar tal fato um crime. Mentira, eu entendo: é que o futuro os aflige em seus interesses. No entanto, o que as redes de compartilhamento fazem sempre me pareceu nada criminoso, nobre até. Se eu tenho um CD e um amigo gosta dele, creio que não serei condenado moralmente e criminalmente por fazer um cópia e entregar a ele. As redes p2p (peer-to-peer, par a par) fazem o mesmo, só que com proporções maiores, muito maiores. Posso conseguir uma cópia com um morador do Himalaia, em vez de procurar meu vizinho.
O Demonoid voltou e eu, mesmo com o recalque da exclusão, achei a notícia boa. Não gosto do esquema oito-ou-oitenta, ainda precisamos pensar sobre a concepção de copyright, mas é bom que exista quem nos põe na marra para pensar. No site Suprnova.org andaram publicando um manifesto: "O que quer que vocês afundem, nós construiremos de novo. Aonde você forem, nós estaremos na frente. Vocês são o passado e os esquecidos, nós somos a internet e o futuro". E são mesmo.
Ah: se alguém tiver um convite, eu tô querendo. =)