Eu li a Biografia do Coelho

E li em dois dias. É um daqueles livros que eu gostaria de ter escrito. Não guardo nenhuma admiração pela obra do Coelho, que eu nem conheço: li Brida, é verdade, há alguns anos, mas não gostei. Queria ter escrito O Mago, do Fernando Morais, porque queria eu também embarcar no fenômeno editorial chamado Paulo Coelho. 100 milhões de livros vendidos.
Não só por isso, é claro. Eu achei surpreendente o Fernando Morais por ele ter começado a biografia do Chatô com o jornalista e sua filha vestido de índios comendo a carne de um jesuíta português, tal e qual seus ancestrais caetés. Em O Mago ele vai mais longe: o diabo em pessoa visita o Coelho e sua namorada em um apartamento na Urca. E ele cheira a necrotério. O diabo, não o apartamento. A diferença é que o Chateaubriand canibal é ficção a visita do cramulhão é, segundo os diários do Coelho, a verdade nua.
Agora eu não tenho mais preconceito contra Paulo Coelho. Não é que eu vá virar um leitor assíduo de seus livros, que os temas não me agradam. Só acho que, com todo o respeito aos discordantes, o nariz em pé quanto a ele tem mais de inveja do que de qualquer outra coisa. Que mal há em se fazer literatura comercial, ora? Os livros do Coelho, no fringir dos ovos, não tem nada diferente de um Harry Potter ou um Código Da Vinci.
Falo sério: tem quem nutra um ódio irracional contra o sujeito. Mesmo. Não dá para dizer, ora, que o Coelho seja um completo idiota. Lembrem das belas músicas que ele fez para Raul Seixas e outros artistas. Gita — baseada no poema indiano Bhagavad Gîta, em que Krishna passa ensinamentos ao príncipe Arjuna em pleno campo de batalha — é um das coisas mais bonitas que se tem na música brasileira. Ele ainda foi internado duas vezes em um hospício, matou uma cabra para "saciar o anjo da morte", teve relações homossexuais, usou todo tipo de droga. Não dá para negar que é um personagem muito interessante, altamente "biografável".
No final das contas, a impressão é de que Paulo Coelho é um projeto editorial que deu certo, um self-made man. Seu diários de toda a vida repetem seu sonho de ser um autor reconhecido mundialmente.
Não sejamos uns recalcados. Nem só de jorges amados e guimarães rosas o mundo vive. Deixem o Coelho vender seus livros em paz.



2 comentários:
pois é.
falar mal do paulo coelho virou modinha. criticar o cara já é uma forma de fingir que se entende de livros.
nunca li. tb nunca tive vontade. quem sabe algum dia quando bater uma aguçada curiosidade.
vc tem olga?
ah, nada contra o paulo coelho.Odeio usar frases do nelson rodrigues, mas, se o mundo todo comprou a obra literaria idiota dele, realmente, a unanimidade é burra
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